10/10/2010

Pinhole (continuação)

O post anterior ensinou como construir uma câmera pinhole. Agora aprenderemos a capturar uma imagem.

Como utilizar a câmera pinhole?

Em um local totalmente escuro (ou apenas com a luz de segurança acesa, em casos de laboratórios) coloque o papel fotográfico dentro do dispositivo no lado oposto ao furo, e tampe a lata. Procure um assunto (algo que mereça ser fotografado) para a fotografia. A escolha desse assunto deve ter um critério de iluminação. Assuntos bem iluminados serão mais fáceis de serem captados. Apoie a câmera pinhole sobre uma superfície plana, e destampe o furo (tire a fita isolante). A exposição, ou seja, o intervalo de tempo em que a luz externa atinge o papel fotográfico, deverá ser experimentado. Comece expondo 10 segundos, 20 segundos e 40 segundos, veja o resultado após a revelação.

Revelando a fotografia pinhole

O processo de revelação será o comumente utilizado em fotografias. Utiliza-se um laboratório com uma luz de segurança (luz vermelha) ou um ambiente totalmente escuro, três químicos e uma pia. Para revelar, no laboratório ou no local especificado, tire o papel da lata, coloque a fotografia no revelador por 2 minutos, passe-a para o interuptor por 15 segundos, e deixe-a no fixador por 5 minutos. Posterioremente, lave-a em água corrente por 5 minutos.


A primeira imagem após ser revelada será negativa, ou seja, o que é branco vira preto e o que é preto vira branco. Assim já é possível ter uma noção da qualidade da imagem, evitando desperdício de papel fotográfico e tempo.


Como transformar o negativo em positivo

O processo acontece por contato. Para ele ocorrer é necessário um papel fotográfico virgem do mesmo tamanho da fotografia pinhole negativa, um apliador ou uma lâmpada de 60 W posicionada a um metro e meio de distância de uma superfície. Sobre essa superfície coloque os lados das emulsões do papel fotográfico em contato (como se fosse um sanduíche). Ligue a lâmpada ou o ampliador por 10 segundos, apague-a e revele o papel que era virgem. Veja os resultados. Caso não correspondam ao desejado repita o processo com um tempo de exposição maior ou menor.



Mais sobre pinhole

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09/10/2010

Pinhole


A câmera fotográfica hoje é dotada de uma série de aparelhos tecnológicos que facilitam o trabalho do fotógrafo no processo de captação da imagem. Fotômetro integrado, visor, CCD’s, obturador, lentes variadas, diafragmas variados apesar de contribuírem não garantem por si só bons resultados. Uma prova disso é a fotografia Pinhole (buraco de agulha ou buraco feito por agulha) que está na contramão de toda essa evolução tecnológica.

Esse tipo de fotografia tem um caráter experimental e artesanal, mas apresenta resultados surpreendentes. Ela pode ser obtida por meio da construção de uma câmera pinhole (basicamente uma câmara escura), que utiliza materiais caseiros - lata de Nescau, papel cartão, spray de tinta preta, agulha e fita isolante. Esse post se dedica a ensinar essa técnica fotográfica muito utilizada principalmente no campo da arte.


Como Construir uma Câmara Pinhole?

Materiais: 1 Lata de metal; 1 Spray de tinta preta; Papel cartão; Fita isolante; Agulha; Papel Fotográfico e Químicos de Laboratório.

(continua)

10/06/2010

Antes de Continuar com a História

Antes de retomarmos a história da fotografia, faço um convite aos que se interessam por elas e pela cultura da imagem.

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Está ocorrendo na FAV (Faculdade de Artes Visuais - UFG) o "III Seminário Nacional de Pesquisas em Cultura Visual". A programação é bem diversificada com trabalhos sobre moda, HQ's, fotografias, pinturas, Artes Cênicas, cinema e estudos de tudo o que cerca o mundo das imagens. O encontro também apresenta uma diversidade de falas devido aos participantes de outras áreas como história e comunicação que apresentam seus trabalhos juntamente com aqueles pertecentes ao mundo das Artes. Assim, pretende-se criar uma discussão que promova uma interdisciplinaridade e que "Reinvente o Humano" (slogan do seminário). Para informações sobre programação clique aqui.

Por onde Andei?

Eu compareci a algumas mesas que tratam especificamente de meu tema de estudo que é a narrativa visual e a comunicação (mas também a outros trabalhos por tabelas). Muitos autores apresentaram algo sobre o tema, embora dois tenham me chamado mais a atenção.

O mestrando Fabiano Maggione da área de comunicação da UFSM(RS), fez um estudo muito legal sobre charges e produção de sentido. Ele não abandona as idéias culturais de produção de sentido, mas prefere centrar-se na análise plástica da charge, ou seja, como os elementos do desenho comunicam com o público. Essa visão apesar de parecer óbvia é muito criticada dentro da área de comunicação - às vezes tratada com desrespeito. Mesmo assim, o autor se sustenta nas suas idéias sem ligar para a opinião da academia.

Outro autor que traz um estudo legal é o professor de fotografia da FAV (UFG), Odinaldo Silva que faz uma investigação da onde nasceu nossa admiração por fotografia, ao ponto de inundarmos a Internet de fotos intimas. Ele consegue encontrar fotógrafos conhecidos no mundo inteiro que utilizam as fotografias tipo Orkut - aquelas do espelho e dos momentos íntimos, sem grandes técnicas - em seus trabalhos de arte.

Do mais, estou aqui no auditório da Biblioteca Central da UFG, assistindo uma apresentação sobre HQ's no GT Narrativas do evento.

Peço desculpa pela demora das postagens, prometo regularizar a situação quando tiver um tempinho.

27/05/2010

Como Nasce a Fotografia? (Parte 2)

Para retomar e dar procedimento ao texto anterior: vimos que a fotografia é produto de um aparelho chamado “Câmara Escura” que se utiliza de um princípio óptico para a formação de uma imagem em uma superfície. Vimos também que nos séculos XVII e XVIII esse objeto foi aprimorado pelas inovações tecnológicas da época e pela vontade dos pintores de retratar a realidade ‘tal como ela é’. Chegamos, então, ao século XIX em que é captada a primeira imagem, ou seja, surge a Fotografia.


Primeira Fotografia do Mundo (Paisagem da Janela - Niépce - 1826)


O crédito de inventor da fotografia é dado para o francês, Joseph Nicéphore Niépce (1765 – 1833), embora alguns cientistas tenham dado grandes contribuições. Se o aparelho já estava praticamente todo desenvolvido, faltava um suporte para a captação da imagem - uma espécie de papel fotográfico. Porém, no campo da química, a ciência caminhava a passos lentos. Ainda no século XVIII, Heirich Schulze, Giacomo Battista e Carl Wilhelm Scheese descobrem que algumas substâncias escurecem quando expostas a luz. Essa descoberta permitiu os experimentos do inglês, Thomas Wedgwood.

Experimentos de Wedgwood


Wedgwood molhava pedaços de couro em soluções de nitrato de prata (que escurecia quando exposto a luz). Em seguida, espalhava asas de insetos e folhas de plantas sobre o trapo e colocava o preparado sob o sol. O inglês conseguiu com isso, formar silhuetas que podiam ser vistas apenas a luz de velas. Caso a iluminação fosse maior, o couro escurecia inteiro. Faltava alguma substância que fixasse aquelas imagens. A partir disso, todas as pesquisas se voltaram para tal descoberta.

Niépce tem o crédito de produzir a primeira imagem fixada. Não que ele tenha descoberto o chamado Fixador, mas conseguiu por um processo diferente parecido com a litografia a captação da primeira imagem. Outro detalhe é que antes do cientista francês, a fotografia era negativa, ou seja, o que era branco virava preto e o que era preto virava branco. Niépce consegue a captação da imagem positiva, fiel aos tons. A primeira foto surge com um tema banal, ‘a paisagem da janela’ (1826), mas estava ali a descoberta que deu ao mundo a possibilidade de se captar qualquer imagem. (CONTINUA)

20/05/2010

Como nasce a fotografia? (Parte 1)

Sei que poucos se lembram, mas muitos já aprenderam o princípio básico da fotografia. Em qualquer ensino médio os professores de física ensinam uma matéria chamada Óptica, que fala sobre os fenômenos luminosos. Vamos esquecer por enquanto esses princípios e nos centrar mais no que interessa. Lembra de algo chamado “Câmara Escura”? Se sim, já respondo a pergunta que dá título ao texto: é daí que nasce a fotografia. Se não, vale dar uma relembrada.

Apesar de ter origem remota, quem melhor descreveu o que é ‘Câmara Escura’ foi Leonardo da Vinci: “A imagem de um objeto iluminado pelo sol penetra em um compartimento escuro através de um orifício. Se colocarmos um papel branco do lado de dentro do compartimento, a alguma distância do orifício, veremos a imagem sobre o papel, com suas próprias cores, porém invertida”.

Essa descoberta, juntamente com a gana dos artistas em reproduzir a realidade, foi o que possibilitou o que hoje chamamos de fotografia. Na verdade a câmara fotográfica é uma ‘câmara escura’ em menor escala e com artifícios de correção e registro de imagens. Para constatarmos isso, basta observarmos qualquer câmera: são aparelhos fechados (compartimento escuro) e com um orifício (Lente) que possibilita a formação da imagem de tamanho menor e com as mesmas cores em uma superfície (Filme ou Chip de Captação nas digitais).


Para chegar ao estágio em que se encontra hoje, a fotografia precisou de passar por vários processos e diversas pessoas fizeram parte disso. No século XVII e XVIII foram feitos vários avanços na “Câmara Escura”, muito utilizada pelos pintores que procuravam diminuir as cenas reais, o que facilitava a pintura de seus quadros. Porém, esse aparelho ainda não tinha a condição de gravar imagens. Apenas no século XIX, com o desenvolvimento da química que se consegue registrar a primeira imagem, ou seja, a primeira foto, mas isso é assunto para o próximo post.


* Nos séculos XVII e XVIII a câmara foi aprimorada e diminuida. Ganhou lente, um espelho para desinverter a imagem e uma tampa de vidro para que os artistas pudessem enxergar a imagem do lado de fora.

**Em relação a imagem, falta um pano escuro que cobre a cabeça do pintor, sem ele seria impossível a formação da imagem.

08/05/2010

Filosofando: O que é fotografia?



Desde a pré-história o homem preocupa-se em retratar a realidade a qual ele pertence. Basta lembrarmos que a arte rupestre (aquela das cavernas) tentava imitar o mundo e os seres que nele viviam. Com o passar dos anos, inventaram-se outras maneiras de representar a realidade, como a escrita, a pintura, a música e também a fotografia.


Daí, tiramos o primeiro conceito de fotografia. Ela seria uma tentativa de cópia da realidade ao nosso redor. Porém esse seu objetivo é inalcançável, o que faz essa noção cair por terra. O que seria fotografia então? Eu respondo que fotografia é uma “Escolha”. Isso pode ser completo, mas infelizmente não é explicativo. Porém será preciso mais algumas linhas para um melhor detalhamento.


A primeira parte da explicação consiste em dizer que não existem meios de representação da realidade que a copie fielmente. Por quê? Porque a realidade inexiste, o que pode parecer um pouco paradoxal. Simplesmente o que “eu vejo” não é o que “você vê”. Isso serve para mostrar a inexistência de uma realidade única. Digamos, portanto, que a realidade é subjetiva e que a cópia dela, quando passada pelas escolhas de um sujeito, deixa de ser fiel, para ser uma versão.


Melhor explicando, basta pensarmos em uma simples conversa. Quando vamos descrever uma situação a alguém, escolhemos as palavras que serão usadas e a ordem dos acontecimentos, damos ênfase em certas ações e excluímos outras. Assim, a situação contada é muito diferente daquela que realmente aconteceu. Na fotografia, não poderia existir outra lógica. Todo mundo já deve ter feito escolhas ao fotografar. Escolhemos o melhor ângulo, a orientação (vertical, horizontal ou diagonal), o que iremos fotografar e etc. Por todas essas escolhas é impossível dizer que conseguimos retratar a realidade tal como ela é.


Após essa explicação, voltemos à resposta: Fotografia é Escolha. Essa escolha parte de alguém, no caso, um fotógrafo, que será influenciado por vários outros fatores que o cercam. Os fotógrafos de jornais (fotojornalistas), por exemplo, são influenciados pela pauta, que por sua vez, é influenciada pela linha editorial do jornal, que será influenciada por um público leitor e ao mesmo tempo pelos interesses empresariais, comerciais ou políticos do veículo. Outro exemplo é o do fotógrafo de família. Ele será influenciado por sua relação com a mesma, uma vez que escolherá quem fotografar, por importância ou afinidade, e ao mesmo tempo terá a preocupação em registrar os momentos sem uma pressão sob o seu fazer. Ele ainda será influenciado pela sua técnica ou pelo seu saber técnico de fotografia.


A partir de agora, começamos o processo de alfabetização visual. Quando vemos uma fotografia, não estamos vendo a realidade e sim, uma versão dela. E se nos perguntarem o que é fotografia, podemos responder que ela é um conjunto de escolhas feito por um fotógrafo que sofrerá influência de diversos fatores, como sua história de vida, seu gosto por fotografias, sua formação, suas vontades, seu trabalho, seu conhecimento técnico, etc. Fotografar nada mais é do que ato de conhecermos a nós mesmos por meio de um conjunto de escolhas.

01/05/2010

Para quem quer iniciar

Uma boa dica para os interessados em iniciar no mundo da fotografia é a leitura do “Curso Digital de Fotografia da National Geographic”.
Para quem não conhece, a National Geographic é uma das maiores revistas do mundo se tratando de fotojornalismo. Ela é marcada pela liberdade de temas, que variam desde as fotografias de natureza, até as de guerra. Anualmente a revista lança cursos em versão impressa ou digital que visam partilhar técnicas e experiências de seus fotógrafos. Por isso o curso é um dos melhores do mercado.
Outra característica de seus cursos digitais é a interatividade. O usuário pode ver em animações o efeito de cada ajuste da máquina ou, mesmo, praticar noções de enquadramento e composição. Assim, além de receber o conteúdo, ele pode aplicá-lo nas diversas simulações.

Para os que não possuem verba suficiente para comprar o curso nas bancas, a seguir estão os links para download:

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5 - Parte 6 - Parte 7 - Parte 8
As partes deverão ser colocadas em uma mesma pasta e descompactadas com o Winrar.

25/04/2010

Para quê aprender fotografia?


Vivemos em um mundo cercado por imagens. Não passamos um dia sequer sem entrar em contato com elas na televisão, internet, outdoors e outros meios que as contém. Conhecemos o ‘mundo’ através delas. Não precisamos ir à Nova Iorque para termos ao menos uma noção de como é a Times Square, nem conhecermos artistas famosos para sabermos algumas de suas características físicas.

Porém, já paramos para pensar o quanto esse oceano que nos cerca é grande e ao mesmo tempo sedutor? Já pensamos nas intencionalidades dessas imagens? Quando o objetivo é responder a essas perguntas, o não é a resposta mais provável. Isso porque, apesar de não nos vermos assim, somo Analfabetos Visuais. Aprendemos a ler e escrever desde pequenos, porém, pouco sabemos sobre outros tipos de linguagem que não sejam a escrita e a oral. A fotografia é uma dessas linguagens que deveria ser ensinada desde bem cedo.

Quando falamos em processo de aprendizado visual, estamos falando em um tipo aprendizado análogo a qualquer outro. Aprendemos a ler e escrever, ou seja, receber uma mensagem e produzi-la em um código escrito. No campo das imagens o processo é o mesmo, ou deveria ser. Assim, fotografar é tão importante quanto saber interpretar uma fotografia. A produção, leitura e interpretação devem andar sempre juntas. Porém esse conhecimento permanece restrito aos fotógrafos, professores universitários e estudantes de fotografia que, talvez, por reivindicarem um saber próprio, preocupam-se em guardá-lo a sete chaves.

Outra causa para esse analfabetismo é que, apesar de estarmos nessa sociedade da imagem, não recebemos essa educação visual em nossa vida acadêmica. Isso porque as escolas se apegam a métodos antigos ou entendem as imagens como meras auxiliares para o ensino da linguagem escrita. Poucas são as iniciativas de discussões sobre fotografias e filmes e quando existem, ainda são muito rasas. Assim, acostumamo-nos com esse oceano profundo das imagens em que estamos perdidos, mas não nos perguntamos se sabemos nadar. Ficamos a deriva, sem chegar a qualquer lugar.

Esse blog pretende ser essa escola de natação e aprender a nadar nesse mundo é essencial!